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Notícia

Reforma Tributária facilita atualização do IPTU nos municípios. Saiba como!

A Reforma Tributária aprovada no Brasil tem como foco a tributação do consumo, com a criação de novos tributos como o IBS e a CBS

A Reforma Tributária aprovada no Brasil tem como foco a tributação do consumo, com a criação de novos tributos como o IBS e a CBS. No entanto, algumas mudanças constitucionais e estruturais decorrentes da reforma também impactam, ainda que de forma indireta, tributos patrimoniais. Entre eles, o IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano.

Embora a Emenda Constitucional nº 132/2023 não altere diretamente alíquotas ou regras básicas do imposto municipal, ela introduz mecanismos que podem facilitar a atualização dos valores venais dos imóveis e a modernização dos cadastros imobiliários, o que já tem levado municípios a revisar bases de cálculo e promover recadastramentos.

Em algumas cidades, essas revisões resultaram em aumentos do IPTU acima da inflação já em 2026, especialmente em localidades com cadastros defasados.

Reforma Tributária e o impacto indireto no IPTU

No caso do IPTU, a principal mudança está relacionada à atualização da base de cálculo — o chamado valor venal do imóvel. Esse valor é utilizado pelas prefeituras para determinar o imposto a ser pago pelos proprietários de imóveis urbanos.

A Emenda Constitucional nº 132/2023 incluiu no §1º do artigo 156 da Constituição Federal a possibilidade de o Poder Executivo municipal atualizar essa base de cálculo por decreto, desde que existam critérios previamente estabelecidos em lei municipal. Essa alteração torna o processo de revisão mais ágil em comparação ao modelo anterior, que exigia aprovação de lei específica pelo Legislativo municipal.

Na prática, isso significa que a atualização dos valores venais pode ocorrer com maior frequência e rapidez, permitindo que os municípios aproximem os valores utilizados para cálculo do IPTU dos preços praticados no mercado imobiliário.

Mudanças constitucionais relacionadas ao IPTU

Historicamente, a atualização da Planta Genérica de Valores (PGV) — instrumento que define o valor do metro quadrado e outros parâmetros utilizados no cálculo do valor venal — dependia de aprovação legislativa. Esse processo muitas vezes gerava atrasos ou resistências políticas, fazendo com que os valores permanecessem desatualizados por anos.

Com a nova regra constitucional, os municípios passaram a ter maior flexibilidade administrativa para atualizar a base de cálculo do imposto. Ainda assim, a mudança não elimina a necessidade de critérios estabelecidos em lei municipal e de respeito aos princípios da legalidade e da transparência na tributação.

É importante destacar que a reforma não alterou diretamente as alíquotas do IPTU, que continuam sendo definidas pelas legislações municipais. O que mudou foi a forma de atualização da base de cálculo do tributo.

Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB)

Outro instrumento criado no contexto da reforma é o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), considerado uma espécie de “CPF do imóvel”.

O objetivo do CIB é reunir e padronizar informações sobre imóveis urbanos e rurais em todo o território nacional. Esse cadastro centraliza dados cadastrais, registra a identificação do imóvel e permite que diferentes órgãos públicos tenham acesso a informações padronizadas sobre propriedades imobiliárias.

O sistema será alimentado com dados provenientes de cartórios, administrações municipais e outros órgãos públicos, o que permitirá maior integração entre as bases de dados existentes.

A padronização das informações tende a reduzir inconsistências cadastrais e facilitar a atualização de registros imobiliários, além de contribuir para maior transparência na gestão tributária.

Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (Sinter)

Complementando o CIB, o Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (Sinter) atuará como plataforma responsável pela integração e análise dos dados territoriais.

O sistema reúne informações cadastrais, geoespaciais, ambientais e jurídicas sobre imóveis, permitindo a consolidação de dados provenientes de cartórios e órgãos públicos.

A partir dessas informações, será possível estimar o chamado valor de referência dos imóveis, que representa uma estimativa de valor de mercado utilizada para fins fiscais e de gestão territorial.

Enquanto o CIB funciona como base de identificação e registro cadastral dos imóveis, o Sinter atua na gestão e análise dessas informações, incluindo a divulgação dos valores de referência utilizados por diferentes administrações tributárias.

Assim, embora a Reforma Tributária não tenha alterado diretamente o imposto municipal, os instrumentos criados e as mudanças constitucionais associadas à modernização dos cadastros imobiliários simplificaram a atualização das bases de cálculo pelos municípios, com impacto no valor do IPTU.